Entrevistas

Um sistema fotovoltaico coletivo na Alta de Lisboa

Fique a conhecer um sistema fotovoltaico coletivo na Alta de Lisboa para uma Lisboa Cidade Solar

Entrevista Exclusiva Coopérnico [Parte 1]

Entrevista Exclusiva Coopérnico [Parte 2]

Entrevista Exclusiva Coopérnico [Parte 3]

Entrevista Exclusiva Vasco e Eduardo [Parte 1]

Entrevista Exclusiva Vasco e Eduardo [Parte 2]

1. Quais as características técnicas do sistema fotovoltaico instalado nesta cobertura?

Atualmente, temos uma potência instalada de 27 kWp, mas tudo começou em 2017 com apenas 3 kWp que no ano seguinte, passaram a 14 kWp. Mais recentemente, no inverno de 2021, foram acrescentados cerca de 10 kWp, com o apoio da Coopérnico, e foi feita uma reorganização do sistema para permitir a sua monitorização e a capacidade de suportar um futuro crescimento. Através dos estudos realizados, a Copérnico concluiu que ainda será possível a instalação de mais 57 kWp na totalidade das 8 coberturas pertencentes ao condomínio.

2. Como foi o processo de procura por uma solução no mercado? Quem é/foi o instalador?

Primeiro foram solicitados orçamentos a diferentes entidades parceiras da Coopérnico, cabendo a decisão final a quem vai realizar o investimento. A instalação foi realizada pela ENFORCE, empresa sediada na Covilhã.

3. Onde é utilizada a eletricidade solar produzida por este sistema

Neste momento, as instalações fotovoltaicas fornecem as zonas comuns dos prédios, tais como elevadores, iluminação, bombas e extratores ( ligados constantemente para realizar a extração de gases das condutas dos esquentadores), entre outros. Assim, existe sempre um consumo mínimo bastante substancial, equivalendo a uma potência de, aproximadamente, 3 kWp em cada um dos blocos. 

4. Qual era o grau de conhecimento/aceitação da tecnologia fotovoltaica, pelos condóminos, antes da instalação? E depois, o que mudou? 

O conhecimento nesta matéria era, na generalidade, escasso. Contudo, apresentações realizadas na Assembleia-Geral de Condóminos contribuíram para a sensibilização dos mesmos e, a par com o surgimento de políticas de apoio do Estado, as pessoas começaram a informar-se melhor. No entanto, continua a ser muito relevante uma maior aposta do Estado em políticas de divulgação e dinamização destas soluções para utilização numa escala mais alargada. No nosso caso foi determinante haver uma pessoa que já estava bem informada e que sabia transmitir o conhecimento aos outros condóminos, principalmente na fase inicial do projeto. Deste modo, houve uma grande adesão à proposta inicial que foi aceite por unanimidade da Assembleia.

5. Quais as principais vantagens que esta instalação faseada de fotovoltaico tem trazido ao condomínio?

Antes da última instalação, em que acrescentámos os 10kWp, já estávamos a poupar cerca de 8 000€ de uma fatura global à volta de 30 000€ por ano, sendo muito significativo face ao investimento feito e ao consumo anual. Por isso, queremos continuar a investir mais para termos mais produção elétrica própria e menos consumo da rede. Esperamos que, a longo prazo, isto permita aos condóminos diminuir substancialmente os seus custos com a energia. Outra curiosidade são os agentes imobiliários que, durante visitas com clientes, referem sempre a existência dos painéis e desta iniciativa, o que representa uma mais-valia em termos de valorização do imóvel no mercado. 

6. Na sua opinião, quais são os maiores desafios à instalação de fotovoltaico nos edifícios multifamiliares? Como ultrapassaram esses desafios?

Começou-se por fornecer a eletricidade às zonas comuns, tornando o processo menos complexo para as pessoas, contudo, a agregação dos nove pontos de consumo (os 8 edifícios e 1 garagem) pode trazer alguns ganhos de escala em regime de autoconsumo coletivo (ACC). Decidiu-se então agregar os sistemas de autoconsumo (UPAC) individuais na Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), para passar a ser um ACC e encontramo-nos a aguardar. Nisto, é relevante que, também ao nível da DGEG, todos os trâmites burocráticos e administrativos estabilizem para que os processos se tornem mais céleres. Por outro lado, as reuniões de condomínio nem sempre são fáceis, pois, normalmente, são trazidos a discussão muitos problemas. É bom poder trazer um projeto positivo, como o fotovoltaico, onde há oportunidade para todos pouparem. Mas os grandes desafios são a parte inicial do investimento, acompanhamento do mesmo e a monitorização da produção. O risco financeiro que as famílias estão dispostas a correr quando investem neste tipo de projeto, é diferente de pôr o dinheiro no banco, por isso, estes projetos piloto são muito importantes

7. O que diriam a outros condomínios para os motivar a também instalar um sistema fotovoltaico no seu edifício? 

Se houver disponibilidade para o investimento inicial, esse será pago dentro de 2 a 4 anos, dependendo dos perfis de consumo. Como a manutenção é praticamente apenas a verificação dos equipamentos e limpeza dos painéis, tendo estes um tempo de vida entre 20 e 30 anos, percebe-se que é uma ótima decisão. Se as pessoas tivessem mais despertas e soubessem que há esta possibilidade, acho que mais o fariam. No contexto de um condomínio, no nosso caso, foi importante começar por fazer uma pequena instalação e demonstrar que já estamos a pagar menos de eletricidade graças ao sistema fotovoltaico. Deste modo, as pessoas acabam por ver os benefícios e concordar com a expansão do sistema. Porém, o aspeto da gestão financeira do condomínio também é relevante para que exista disponibilidade de investimento, através do pagamento assíduo das respetivas mensalidades, não havendo assim a necessidade de um compromisso financeiro adicional – as pessoas não sentem um sobrecusto porque estão informadas! 

8. Qual a visão da Coopérnico para uma Lisboa mais solar, e como vêm a vossa contribuição para a meta de 103 MW fotovoltaicos instalados em Lisboa, até 2030, inscrita no Plano de Ação Climática da cidade?

A Copérnico tem 2300 cooperantes muito empenhados nesta transição energética e em fazerem parte da solução. No caso do condomínio, contribuímos ao apoiar os nossos membros a levar esta questão às reuniões com uma pré-análise sobre as poupanças que poderiam ter. Este condomínio é um caso de sucesso onde um conjunto de duas ou três pessoas quiseram levar este projeto em frente e convenceram as quase 200, o que não é nada fácil senão todos os prédios teriam fotovoltaico!

9. A criação de Comunidades de Energia Renovável (CER) e Autoconsumos Coletivos (ACC), em grande debate a nível europeu, parece ser um dos caminhos com maior potencial na transição energética. Têm planos para juntar mais vizinhos e candidatar-se ao programa de apoio do Fundo Ambiental? Qual a vossa opinião?  

Quanto à criação de uma comunidade de energia, somos pioneiros nesse caminho, e, com o apoio da Coopérnico, temos um sistema de monitorização que nos permite conhecer a produção a cada 15 minutos, o que irá possibilitar a distribuição equitativa por cada condómino. A ideia de futuro será alargar o abastecimento de energia a todos os condóminos de modo a criar um sistema de autoconsumo coletivo numa primeira fase. O objetivo final será a criação de uma verdadeira CER da Alta de Lisboa, com início neste edificado. A existência de incentivos financeiros para ACC e CER pode ajudar a melhorar a nossa contabilidade e, naturalmente, é de interesse explorar e tirar partido disso, se for adequado. Contudo, é tão ou mais importante que as próprias entidades públicas estejam preparadas e saibam como o operacionalizar de uma forma rápida e sem burocracia – e poderem elas também ter a iniciativa para fazer esse tipo de investimento e dar o exemplo. 

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